Ubisoft: Desenvolvedor Punido por Criticar Retorno ao Escritório

Um líder de equipe da Ubisoft afirma ter sido alvo de punição após expressar publicamente sua insatisfação com a política de retorno ao escritório da empresa. David Michaud-Cromp, líder de design de níveis da Ubisoft Montreal, alega ter recebido uma suspensão disciplinar de três dias sem pagamento. A justificativa apresentada pelos superiores foi uma suposta violação do dever de lealdade.

A Polêmica Volta ao Escritório na Ubisoft

A decisão da Ubisoft de exigir que todos os funcionários retornem aos escritórios cinco dias por semana surgiu em meio a um cenário de grandes mudanças. A empresa anunciou recentemente o cancelamento de diversos jogos, incluindo o aguardado remake de Prince of Persia: Sands of Time, adiamento de outros títulos e uma reestruturação que prevê o fechamento de mais estúdios. Essa nova diretriz foi comunicada a cerca de 15 mil funcionários simultaneamente à sua divulgação pública, gerando forte reação.

Em 23 de janeiro, Michaud-Cromp utilizou sua conta no LinkedIn para expressar seu descontentamento. Ele escreveu: “Então… a Ubisoft quer voltar a 5 dias no escritório… porque eles ‘acreditam na colaboração’”, adicionando, “mas, vamos lá, não somos completamente estúpidos… sabemos muito bem por que vocês querem voltar a 5 dias no escritório… (Alerta de spoiler: não é sobre eficiência ou colaboração)”.

Michaud-Cromp não está sozinho em suas críticas. Muitos funcionários da Ubisoft manifestaram suas opiniões nos fóruns internos da empresa. A insatisfação é ainda maior entre os empregados parisienses, que haviam recentemente negociado a manutenção de dois dias de trabalho remoto por semana.

A Suspensão e a Reação dos Funcionários

As declarações iniciais de Michaud-Cromp não foram bem recebidas pela liderança da empresa. Ele relatou no LinkedIn: “Atualização profissional: a Ubisoft me informou hoje sobre uma suspensão disciplinar não remunerada de três dias, com efeito a partir de amanhã”. Ele detalhou que a medida foi apresentada como relacionada aos comentários públicos que fez sobre a política de retorno ao escritório, citando a “alegada violação do dever de lealdade”. Michaud-Cromp concluiu: “Estou compartilhando esta informação para fins de transparência. Tomo nota da decisão e não farei mais comentários neste momento.”

A Ubisoft justifica sua política de retorno ao escritório como forma de “fortalecer a colaboração, incluindo o constante compartilhamento de conhecimento e a dinâmica coletiva entre as equipes”. A empresa argumenta que “a colaboração presencial é um facilitador chave da eficiência coletiva, criatividade e sucesso em um mercado AAA persistentemente mais seletivo”.

No entanto, a percepção entre os funcionários é de grande ceticismo. Um membro da equipe, que preferiu não se identificar, afirmou que a decisão foi tomada “sem justificativa, sem documentos, sem estudos internos provando que o retorno ao escritório aumenta a produtividade ou o moral, nada”.

A pandemia de COVID-19 demonstrou que arranjos de trabalho flexíveis podem, de fato, impulsionar a produtividade. Contudo, líderes de muitas grandes corporações, talvez sentindo seus papéis ameaçados por essa revelação, têm insistido no retorno ao modelo presencial.

Os funcionários da Ubisoft estão profundamente insatisfeitos com o novo anúncio e com a iminente rodada de demissões. Sindicatos que representam os trabalhadores da Ubisoft já convocaram uma greve de três dias em fevereiro, buscando uma mobilização geral de todos os empregados.

A Ubisoft e Michaud-Cromp foram procurados para comentários adicionais sobre o ocorrido.

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