A Ubisoft demite veterano de longa data da franquia Assassin’s Creed, David Michaud-Cromp, dias após ele ser suspenso por expressar publicamente sua insatisfação com a nova política de retorno ao escritório da empresa.
Michaud-Cromp, que dedicou 13 anos à Ubisoft, foi um dos muitos funcionários afetados pela decisão da empresa de exigir a presença física cinco dias por semana, complementada por uma cota anual de dias de trabalho remoto. A Ubisoft justificou a medida afirmando que a “colaboração presencial é um facilitador chave para a eficiência coletiva, criatividade e sucesso em um mercado AAA cada vez mais seletivo”.
Críticas Públicas e Suspensão
O desenvolvedor não poupou críticas à decisão em uma publicação no LinkedIn. Ele questionou abertamente a motivação da Ubisoft, sugerindo que a empresa utilizava a exigência de retorno ao escritório como uma forma velada de promover demissões de funcionários que preferiam o modelo de trabalho remoto. “Não somos completamente estúpidos… sabemos muito bem por que vocês querem voltar aos 5 dias no escritório”, escreveu Michaud-Cromp, adicionando que a medida “não é sobre eficiência ou colaboração”.
Essa manifestação pública resultou em uma suspensão disciplinar não remunerada de três dias para Michaud-Cromp. Poucos dias depois, a demissão foi confirmada. “Hoje, fui demitido pela Ubisoft, com efeito imediato”, anunciou ele em outra postagem no LinkedIn, enfatizando: “Esta não foi minha decisão”.
Carreira de David Michaud-Cromp na Ubisoft
Michaud-Cromp ingressou na Ubisoft em 2012, atuando inicialmente como designer de níveis em Assassin’s Creed Unity. Sua trajetória incluiu trabalhos em títulos como Syndicate, Origins, Valhalla e Watch Dogs Legion. Mais recentemente, a partir de 2022, ele liderava a equipe de design de níveis para o aguardado Assassin’s Creed Shadows.
Em resposta aos eventos, a Ubisoft declarou ao site Kotaku que “compartilhar feedback ou opiniões respeitosamente não leva a uma demissão”. A empresa reiterou que possui um Código de Conduta claro, que todos os funcionários revisam e assinam anualmente, e que o descumprimento dessas regras acarreta procedimentos estabelecidos, com medidas proporcionais à natureza e gravidade da infração. A demissão de Michaud-Cromp reforça a postura da Ubisoft diante de críticas internas veiculadas publicamente.
Reestruturação e Demissões na Ubisoft
O CEO da Ubisoft, Yves Guillemot, já havia anunciado planos de “acelerar as iniciativas de redução de custos para otimizar a organização”, o que inevitavelmente envolveria demissões. A empresa chegou a propor demissões “voluntárias” que poderiam afetar até 200 funcionários em sua sede em Paris, gerando fortes reações e ameaças de greve por parte dos sindicatos franceses.
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