Oshi no Ko 3: Análise Profunda do Episódio 3 ‘Corretude’

O episódio 3 de Oshi no Ko 3, intitulado “Corretude”, mergulha em discussões complexas sobre assédio, a percepção pública e a paixão pelo cosplay. A trama, originalmente concebida em um período de grande efervescência social, busca explorar as nuances das relações de poder na indústria do entretenimento, embora com uma lente que alguns consideram simplificada.

A Complexidade de “Corretude”

O enredo deste episódio reflete temas que, no auge do movimento Me Too, eram extremamente pertinentes. A ideia de mulheres assediadas ganhando voz e sendo acreditadas era revolucionária. No entanto, o episódio apresenta uma versão mais “higienizada” desses eventos, sugerindo que tanto vítimas quanto agressores podem ser vistos como vítimas em certas perspectivas. Apesar dessa abordagem, há um reconhecimento genuíno pela arte e dedicação do universo cosplay, oferecendo momentos de autenticidade em meio a uma narrativa que pode parecer um tanto didática.

Entre a Ficção e a Realidade da Indústria

É intrigante pensar se os criadores de Oshi no Ko, Aka Akasaka e Mengo Yokoyari, anteciparam a repercussão de certas escolhas narrativas. A representação de eventos chocantes, como a morte de um personagem por um utensílio doméstico comum, ou a sobrevivência improvável de outro, gera uma metaconversa sobre a interferência da indústria na arte. “Corretude” explora as intrincadas camadas de direitos autorais e a burocracia, um espelho da própria existência da obra em um mundo de entretenimento que constantemente se reinventa. A série, apesar de sua premissa fantástica, consegue tocar em aspectos muito reais do mundo do espetáculo.

O Poder de um Tweet e a Realidade do Trabalho Sexual

O episódio baseia-se na premissa de que um tweet de uma trabalhadora sexual poderia abalar uma produção televisiva. Embora a realidade possa ser diferente, especialmente sobre a influência de trabalhadoras sexuais na opinião pública, a abordagem de Meiya, que utilizou o trabalho sexual para se sustentar após uma doença, ressoa com histórias reais. A representação de Meiya como uma fã dedicada e trabalhadora, que se esforça para criar seus cosplays, desafia estereótipos negativos sobre cosplayers que produzem conteúdo adulto, validando sua paixão e talento.

A Perspectiva de Abiko-sensei e o Submundo de Direitos

Abiko-sensei, ao explicar a Kana sua exigência de aprovar todas as parcerias de “Tokyo Blade”, levanta uma questão crucial sobre a objetificação feminina na publicidade. A densa explanação sobre direitos autorais e licenciamento torna-se uma meta-referência à própria natureza de Oshi no Ko, uma obra que inspira cosplays e doujinshi, evidenciando a complexidade do gerenciamento de propriedades intelectuais.

Heroísmo, Vilania e a Redenção Inesperada

Inicialmente, o episódio estabelece uma clara dicotomia entre herói e vilão. Yoshizumi sofre os abusos do diretor, que se consolida como uma figura negativa. Meiya, após ser desrespeitada e questionada de forma inadequada, tem seu poder limitado a um tweet. A série parece sugerir uma equivalência de poder entre abusador e abusado, o que é problemático, pois Meiya possui escassos recursos para se defender. Sua mensagem, por pura sorte, ganha tração e força a equipe de produção a agir.

O diretor, por sua vez, tenta justificar seu comportamento como uma transgressão de “tabus”, afirmando que sabe que será rotulado como assediador. Contudo, essa defesa falha, pois o assédio sexual não é inovador; é a manutenção de um status quo. Ele não é um revolucionário, mas sim um mantenedor de velhas ordens. Além disso, ele ainda consegue desmerecer Yoshizumi, que se esforça para manter a produção em andamento apesar da incompetência do diretor.

A Redenção Controversa e o Poder do Cosplay

Em um momento surpreendente, o diretor passa uma semana costurando um cosplay de sua personagem favorita, a Princesa Saya, e se desculpa com Meiya enquanto o veste. Embora a cena do diretor em drag seja usada para humor, ela também questiona o espectador que ri, com Aqua e o mestre de cerimônias questionando a escolha de Ruby de trazer o diretor vestido como uma personagem feminina. Meiya, no entanto, reconhece a autenticidade de um cosplay feito à mão e aceita a desculpa. A redenção do diretor, que o humaniza além do estereótipo de sexista abusivo, pode ser controversa. Contudo, o episódio brilha ao valorizar a comunidade cosplay, referindo-se a ela como uma “cultura” que, apesar de ser intensiva em tempo e esforço, nem sempre é levada a sério, especialmente quando envolve conteúdo adulto. Em meio a essa falácia de “ambos os lados têm razão”, o cosplay emerge como o verdadeiro vencedor.

Lista Detalhada de Observações do Episódio 3

1. O episódio aborda temas do movimento Me Too com uma perspectiva que pode ser considerada simplificada. 2. A narrativa sugere que tanto vítimas quanto agressores podem ser vistos como tal, uma visão controversa. 3. Há um apreço genuíno pela arte e o trabalho por trás do cosplay. 4. O episódio é visto como didático, sem trazer grandes inovações. 5. Questiona-se se os criadores previram a repercussão de certos elementos da trama. 6. A morte por um utensílio de cozinha comum gera uma discussão meta sobre a indústria. 7. A sobrevivência de Aqua após uma queda no passado também é um ponto de metaconversa. 8. O enredo explora a interferência da indústria na criação artística. 9. “Corretude” aprofunda-se nos detalhes da aquisição de direitos e burocracia. 10. A série faz uma autorreflexão sobre sua própria existência no mundo do entretenimento. 11. A premissa de um ginecologista reencarnado como filho de uma idol é fantástica. 12. Oshi no Ko consegue tocar em aspectos realistas do mundo do entretenimento. 13. O episódio parte da premissa de que um tweet de uma trabalhadora sexual pode ameaçar um programa de TV. 14. A influência de trabalhadoras sexuais na opinião pública é retratada de forma idealizada. 15. A história de Meiya, que usou o trabalho sexual para se sustentar, é um ponto forte. 16. Meiya é retratada como uma fã dedicada e trabalhadora, que ama o que faz. 17. A série desmistifica a ideia de que cosplayers com conteúdo adulto são menos fãs. 18. Meiya passou uma noite inteira criando seu cosplay de Tokyo Blade, demonstrando dedicação. 19. Abiko-sensei se opõe à objetificação feminina em parcerias de marcas. 20. Abiko-sensei explica a Kana a complexidade da aprovação de parcerias. 21. A explicação de direitos autorais é densa, esotérica e metalinguística. 22. A própria manga de Oshi no Ko é objeto de cosplay e doujinshi, refletindo a discussão. 23. Inicialmente, há uma clara distinção entre herói e vilão no episódio. 24. Yoshizumi sofre constantemente os abusos do diretor, solidificando seu papel de vítima. 25. Meiya é submetida a perguntas e insinuações sórdidas do diretor. 26. Ruby poderia ter orquestrado a situação, conhecendo as inclinações do diretor. 27. O episódio falha ao retratar o diretor e Meiya com poder equivalente. 28. Meiya tem pouco poder na situação, seu tweet é sua principal ferramenta. 29. O tweet de Meiya, apesar de vago, é levado a sério de forma improvável. 30. O estúdio tenta fazer Meiya deletar o tweet, o que é ineficaz após a repercussão. 31. O diretor continua a repreender Yoshizumi mesmo após a repercussão do tweet. 32. O diretor afirma que está “quebrando tabus” com seu comportamento. 33. Ele se autodenomina um “assediador sexual problemático” conscientemente. 34. A defesa do diretor falha, pois assédio não é transgressão, mas sim o status quo. 35. O diretor não é um inovador, mas sim um mantenedor de velhas práticas. 36. O diretor também provoca Yoshizumi, apesar do esforço deste para manter o programa. 37. O diretor costura um cosplay da Princesa Saya como forma de desculpa. 38. Meiya aceita a desculpa do diretor, reconhecendo o esforço do cosplay artesanal. 39. A redenção do diretor é controversa, pois o humaniza além do estereótipo. 40. O episódio é elogiado pela sinceridade com que aborda a comunidade cosplay. 41. O diretor descreve o cosplay como uma “cultura”, valorizando sua importância.


Fonte: Artigo Original

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