A desenvolvedora de RuneScape, Jagex, estabeleceu uma posição clara e impactante sobre o uso de IA generativa no desenvolvimento de jogos. A empresa britânica garantiu que nenhum ativo gerado por inteligência artificial estará presente em elementos que os jogadores possam ver, ouvir ou sentir dentro de seus títulos, incluindo o popular RuneScape.
James Dobrowski, vice-presidente sênior de produto da Jagex, em entrevista ao GamesIndustry.biz, afirmou que a empresa está aberta à aplicação de IA para otimizar processos de desenvolvimento, como a eficiência de ferramentas. No entanto, ele enfatizou que a Jagex não utilizará IA generativa para impulsionar a criatividade do jogo.
Compromisso da Jagex com a Criação Humana
Dobrowski foi categórico ao declarar: “Temos uma postura bastante firme com a equipe, que é o compromisso de que nenhuma IA generativa estará presente em qualquer ativo que um jogador possa tocar, ouvir ou sentir. Não haverá IA generativa no jogo que eles experimentam.” Esta decisão exclui o uso de arte, vozes ou diálogos gerados por IA, elementos que já apareceram em outros jogos da indústria.
O foco da Jagex para a IA reside na melhoria da eficiência interna, facilitando o trabalho da equipe e permitindo a produção de conteúdo de maior qualidade. A empresa também está em diálogo com seus parceiros externos para assegurar que a IA generativa não seja empregada de maneira inadequada em nenhum trabalho que possa impactar o produto final.
Controvérsias e Diferentes Abordagens na Indústria
O uso de IA generativa no desenvolvimento de jogos tem sido um tema amplamente debatido e controverso na indústria. A postura da Jagex contrasta com a de outras empresas que têm adotado a tecnologia de forma mais agressiva.
Por exemplo, Swen Vincke, chefe da Larian, enfrentou críticas após mencionar o uso de IA em Divinity, resultando em esclarecimentos por parte do estúdio. CEOs como o da Genvid e Andrew Wilson da EA expressaram visões diferentes, com o último afirmando que a IA está no “cerne do nosso negócio”. A Square Enix, inclusive, realizou demissões e reorganizações, citando a necessidade de ser “agressiva na aplicação de IA”.
Criadores como Glen Schofield e Meghan Morgan Juinio também defendem a integração da IA para “consertar” a indústria ou evitar que se perca oportunidades. Fora dos videogames, empresas como a Games Workshop proibiram o uso de IA generativa para a produção de designs, uma decisão bem recebida pelos fãs de Warhammer.
A posição da Jagex reflete uma preocupação crescente com a autenticidade e a qualidade artística, garantindo que a experiência do jogador em RuneScape permaneça fundamentalmente humana.



