De “Coisa de Menina” a Fenômeno Global: A Ascensão dos Animes e Mangás Românticos entre o Público Masculino

De “Coisa de Menina” a Fenômeno Global: A Ascensão dos Animes e Mangás Românticos entre o Público Masculino


Historicamente, o universo das animações e quadrinhos japoneses tem sido dominado pelas narrativas de ação e aventura, especificamente os shounen, destinados a jovens audiências masculinas. De acordo com o estudo Geek Power de 2024, no Brasil, impressionantes 49% dos aficionados por animes e mangás preferem este gênero, caracterizado por enredos dinâmicos e combates épicos.

Entretanto, uma notável mudança de paradigma tem se desenrolado, especialmente a partir de 2020. As produções focadas no romance e voltadas ao público feminino, os chamados shoujo, experimentam um verdadeiro renascimento. Estes títulos, agora amplamente disponíveis em plataformas de streaming e discutidos em redes sociais, estão quebrando barreiras e atraindo uma base de fãs surpreendentemente diversa.

O aspecto mais fascinante dessa guinada é a crescente aceitação e apreço por essas histórias românticas por parte do público masculino. Anteriormente rotuladas como “conteúdo para meninas”, as tramas repletas de emoção e de desenvolvimento de relacionamentos estão provando ter um apelo universal. A era das mídias sociais tem desempenhado um papel crucial em desmistificar preconceitos e expor esses animes a novos espectadores.

Afinal, o que impulsionou essa “Era Renascentista” do romance no mundo dos animes e mangás, cativando audiências que antes se inclinavam exclusivamente para gêneros mais voltados à ação?

Para muitos no Ocidente, o contato inicial com a cultura pop japonesa veio através de icônicas séries de ação com protagonistas juvenis, como Naruto, Dragon Ball, Pokémon, Digimon e, mais antigamente, Cavaleiros do Zodíaco. Embora produções como Sailor Moon, Cardcaptor Sakura e Guerreiras Mágicas de Rayearth existissem na década de 1990, focadas em personagens femininas e questões afetivas, elas raramente capturavam a atenção do público masculino, sendo majoritariamente consumidas por meninas.

Os anos 2000 introduziram uma nova safra de animes românticos e de vida escolar, incluindo títulos como Kaichou wa Maid-sama, Nana, Ouran High School Host Club e Toradora!. Apesar de sua popularidade, essas narrativas eram debatidas principalmente entre garotas. Elas não alcançaram o mesmo status de “grandiosidade” atribuído a fenômenos como Naruto ou Death Note, lançados na mesma época.

Em 2020, o confinamento global impulsionou ainda mais o consumo de animes. Títulos de ação como Demon Slayer, Jujutsu Kaisen e Chainsaw Man dominaram as discussões. No entanto, o cenário para os animes românticos não parecia tão favorável, com poucas produções do gênero ganhando destaque massivo naquele período. Essa percepção, contudo, começou a mudar radicalmente em 2025.


COMPARTILHE: