O terceiro episódio da terceira temporada de Primal, intitulado “Banquete de Carne”, já disponível no Adult Swim e com estreia na HBO Max em 26 de janeiro, segue o ritmo cadenciado de sua narrativa. A trama continua a direcionar o zumbi Spear em sua inevitável busca por sua família, ou ao menos por respostas sobre seu destino. Se você aprecia momentos de contemplação, observando um zumbi pensativo interagir com um inseto voador por cerca de oito ou nove minutos, este episódio é para você. Contudo, para aqueles que preferem mais ação, não se preocupem: o ritmo lento é pontuado por cenas de violência visceral e impactante na parte final do episódio.
A sequência inicial é um deleite visual, apresentando Spear encontrando um belíssimo grilo de tons turquesa e violeta. Embora a temporada atual tenha deixado os dinossauros um pouco de lado, o criador Genndy Tartakovsky e sua equipe nos brindaram com uma fauna mais “moderna”, como leões, antílopes e aves no episódio anterior. A delicada animação do inseto mastigando uma folha, enquanto Spear o observa com fascínio, é notável. As visões do passado de Spear, agora claramente associadas à sua antiga companheira dinossauro, Fang, persistem. Mas o que intriga tanto Spear nesse grilo? Seria a paleta de cores, que remete a Fang? Ou a memória de uma criatura selvagem lutando pela sobrevivência na floresta? Ou ainda, a saudade da amizade que um dia compartilhou?
A trilha sonora de Tyler Bates e Joanne Higginbottom realça a natureza lúdica da interação de Spear com o grilo. Desde a perseguição pela mata até o momento em que o inseto pousa em seu braço ou escala sua cabeça, a musicalidade acompanha essa conexão. Quando Spear salva o grilo de ser devorado por um réptil, a ligação entre eles já está estabelecida, ao menos na mente do espectador – e, certamente, na de Spear.
A segunda metade de “Banquete de Carne” se transforma em um festival de ação, com Spear sendo capturado por criaturas pequenas, mas numerosas e carnívoras. Após ser nocauteado – algo aparentemente possível para um zumbi de sua espécie –, ele acorda pendurado de cabeça para baixo, com a carne de sua mão e parte do braço devoradas, cercado pelos esqueletos das vítimas anteriores. Inesperadamente, seu salvador surge na forma de seu amigo grilo. Inicialmente invisível, o inseto começa a irritar os mutantes com seu zumbido, permitindo que Spear escape.
Neste ponto, a narrativa poderia ter seguido dois caminhos: a fuga conjunta de Spear e o grilo, ou a morte do grilo e a subsequente vingança de Spear. A segunda opção, embora previsível, choca. A expressão no rosto de Spear ao ver seu amigo morto, e a animação dos últimos espasmos do inseto, são de partir o coração. A carnificina que se segue é gratificante, com Spear entrando em um estado dissociativo enquanto esmaga os crânios de cada criatura. Em seguida, ele enterra seu pequeno amigo.
Qual o significado dessa experiência para a jornada de Spear? Ele parece estar pensando com mais clareza agora. Ao contrário do episódio anterior, desta vez ele leva sua lança consigo. Ele também está vestido – embora sem escolha – e demonstra emoções intensas novamente. Um funeral para um inseto prova que ele sente. E quanto ao grilo? Era o mesmo com quem Spear interagiu, ou apenas um de muitos? A resposta, talvez, não importe, pois o sacrifício do inseto fortaleceu a determinação de Spear em encontrar Fang mais do que nunca.
Fonte: Artigo Original



