A cena de amputação em Snowpiercer ainda me assombra: um exemplo de terror corporal sem sangue


Nem sempre é preciso sangue e vísceras para o terror corporal funcionar bem. A infame cena do ‘braço picolé’ de Snowpiercer é o terror corporal em sua melhor forma.

Este artigo faz parte de um especial: Inverno Sem Fim: A edição mais fria da Polygon.

“Nesta altitude, precisamos apenas de sete minutos.” Mais de uma década após o lançamento de Snowpiercer, essa frase ainda me gela até os ossos.

O filme pós-apocalíptico de 2014, dirigido por Bong Joon Ho, se passa em uma versão da Terra onde as temperaturas caíram para níveis insustentáveis após uma desastrosa tentativa de correção química rápida para o aquecimento global.

Os únicos sobreviventes da humanidade vivem a bordo de um trem chamado Snowpiercer, que segue perpetuamente um caminho circular.

A frente do trem é o lar de residentes com status e poder, chamados de “cabeças-de-trem”, enquanto a parte de trás do trem — conhecida como a “Cauda” — é o lar da classe baixa, que vive em condições horríveis e subsiste de uma gelatina tipo Soylent Green que é, eventualmente, revelada ser feita de baratas esmagadas.

O protagonista Curtis Everett lidera uma revolta contra os líderes do trem, questionando a ordem social estabelecida e a autoridade dos “cabeças-de-trem”.

A cena de amputação é um momento crucial na história, mostrando a brutalidade e a desumanidade dos líderes do trem.

A cena de amputação em Snowpiercer é um exemplo de terror corporal que não precisa de sangue e vísceras para funcionar.

A tensão e a ansiedade são criadas pela situação em si, e não pela exibição explícita de violência.

Essa abordagem mais sutil e psicológica ao terror corporal torna a cena ainda mais perturbadora e memorável.


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