A série Wonder Man Marvel chega como uma adição notável ao universo cinematográfico, prometendo mais qualidade e menos quantidade, uma tendência recente do estúdio. Embora não impacte diretamente a Saga do Multiverso, Wonder Man oferece um entretenimento sólido e bem-vindo, alinhando-se à proposta do selo “Marvel Spotlight” de produções mais focadas em personagens e histórias menores, assim como Echo.
Atuações Brilhantes Carregam a Trama
A série se destaca por ser menos uma história de origem de super-heróis e mais um drama sobre um homem comum com poderes. O sucesso reside na força de seus protagonistas. Yahya Abdul-Mateen II e Ben Kingsley formam uma dupla cativante, interpretando Simon Williams e Trevor Slattery, respectivamente. Ambos são atores em ascensão que competem por papéis no aguardado remake do filme do próprio Wonder Man. A química entre Abdul-Mateen e Kingsley é o motor da série, impulsionando a narrativa a cada episódio. A inusitada amizade entre Simon e Trevor é um dos pontos altos.
Kingsley, já conhecido no MCU por seu papel como Trevor, tem seu arco aprofundado, mostrando um lado mais genuíno e menos caricato do personagem. Abdul-Mateen entrega carisma, humor e profundidade a Simon, retratando um ator talentoso, mas inibido por seu medo patológico de revelar sua verdadeira essência, que inclui poderes iônicos destrutivos. A jornada de Simon, de um anônimo a uma estrela, é habilmente explorada.
Desafios do Elenco de Apoio
Embora os protagonistas brilhem, o elenco de apoio tem dificuldade em se destacar. Personagens como a mãe de Simon (Shola Adewusi) e seu irmão Eric (Demetrius Grosse), que nos quadrinhos é um vilão importante, são pouco desenvolvidos. A duração dos episódios, em torno de meia hora, sugere que mais tempo poderia ter sido dedicado a aprofundar esses personagens secundários. Contudo, a força dos atores principais é tanta que a série poderia se sustentar apenas como um drama sobre dois atores em dificuldades.
O Episódio “Doorman” é o Destaque
O quarto episódio, “Doorman”, é considerado o ponto alto da série, mesmo sendo quase autônomo. Ele narra a história de DeMarr Davis (Byron Bowers), um porteiro de boate que adquire um superpoder inusitado e alcança seus quinze minutos de fama. O episódio é hilário, com a participação surpreendentemente engraçada de Josh Gad interpretando uma versão fictícia de si mesmo, mas também trágico, gerando empatia pelo personagem. “Doorman” funciona como uma apresentação especial, nos moldes de “Lobisomem na Noite”.
O Desfecho e o Futuro da Wonder Man Marvel
A trama principal gira em torno de duas perguntas: Simon e Trevor terão sua grande chance? Trevor trairá Simon? Essas questões culminam no penúltimo episódio, “Kathy Friedman”. No episódio final, “Yucca Valley”, Andrew Guest, co-criador e roteirista, opta por uma resolução inteligente. Trevor, em um ato de responsabilidade, revive sua persona do Mandarim para assumir a culpa por uma explosão causada por Simon, completando seu arco de personagem. Trevor é preso pelo Departamento de Controle de Danos (DODC), e Simon mantém seu segredo, desfrutando da fama.
O desfecho, inicialmente rápido, ganha sentido quando Simon, usando a arte da atuação, liberta Trevor da prisão, reforçando a amizade. Essa reviravolta é crucial para o desenvolvimento de Simon, que finalmente se aceita e abraça seus poderes. O final de Wonder Man deixa portas abertas para futuras histórias, seja com Simon como super-herói, ator ou fugitivo ao lado de Trevor. A série também levanta a questão da atuação do DODC em relação aos super-humanos, um ponto que pode ter implicações importantes para o futuro do MCU, especialmente com a chegada de mais mutantes pós-Guerras Secretas.



