A criação de Fallout, um dos jogos mais icônicos da história, envolveu jornadas de trabalho extensas, mas motivadas por uma paixão genuína, segundo Tim Cain, um de seus criadores. Em um vídeo recente em seu canal do YouTube, Cain detalhou a rotina intensa durante o desenvolvimento do Fallout original na Interplay Entertainment, revelando que trabalhava mais de 70 horas semanais não por imposição, mas por amor ao projeto.
Cain descreveu uma rotina que começava por volta das 6h da manhã, cuidando de seu gato, para então chegar ao escritório entre 7h e 8h. Ele costumava levar pão de canela que preparava na noite anterior, que invariavelmente era compartilhado com os colegas. Suas pausas para almoço eram em casa, tanto para brincar com o gato quanto para economizar, já que vivia com um orçamento apertado. O mais notável é que ele retornava ao trabalho, completando jornadas de 12 horas antes de ir para casa, onde ainda registrava anotações sobre o dia – prática que, segundo ele, contribui para a existência de seu canal hoje. “Eu frequentemente ia e voltava do trabalho no escuro”, relembrou.
Mesmo aos sábados, Cain e outros desenvolvedores trabalhavam, embora com horários ligeiramente reduzidos. Ele destacou que os colegas iam ao escritório por vontade própria, apenas para jogar mais Fallout, o que era um sinal encorajador do engajamento da equipe. No entanto, na fase final de desenvolvimento, um período que hoje é frequentemente associado ao “crunch” (períodos de trabalho exaustivos e forçados), Cain estava trabalhando 12 horas por dia, sete dias por semana. “Eu frequentemente fazia compras às duas ou três da manhã, a ponto de algumas pessoas me reconhecerem”, disse ele, descrevendo um dia típico na criação de Fallout.
Ao relembrar esses tempos, Cain irradiava entusiasmo, garantindo que o trabalho extra era por escolha própria. “Sei que alguns de vocês ficam horrorizados, tipo, ‘isso é crunch. Isso é abuso.’ Tudo o que posso dizer é que ninguém nos mandava fazer isso. Nós queríamos fazer, amávamos o que estávamos fazendo e amávamos o que estávamos criando. Espero que alguns de vocês entendam isso e, mais ainda, espero que alguns de vocês experimentem, em algum momento, fazer algo que amam tanto, que dedicam tempo a isso porque amam, não porque são forçados”.
Embora não apoie a cultura de crunch atual na indústria de games, ele expressou satisfação com as mudanças. Contudo, um sorriso inegável surgiu ao adicionar: “Aquilo era insustentável, mas também foi absolutamente incrível.” A paixão pela criação de Fallout é um testemunho da dedicação que impulsionou a equipe.



